Traça Digital

TheophilAmigos leitores, esta semana uma notícia muito interessante foi trazida para nosso conhecimento. Uma entidade de pesquisa norte-americana divulgou que um em cada americano leu um livro no formato digital em 2011. A maioria dos entrevistados preferem ler seus livros no PC, em segundo lugar vêm os leitores digitais seguido por tablets como o iPad e smartphones. Será este o fim do livro de papel? Será este o fim das bibliotecas e livrarias?

Desde que o Kindle (leitor digital da Amazon) entrou no mercado, começei a acreditar que os livros de papel estavam com os seus dias contados. Argumentos não faltam para tal afirmação, alguns destes são: sustentabilidade, custo e praticidade. Faz aproximadamente nove meses em que obtive o meu primeiro leitor digital. Como estes “brinquedinhos” não são comercializados no Brasil, pedi para um amigo trazer dos Estados Unidos um Kindle. A compra foi realizada com cartão de crédito internacional convencional, e é exatamente igual a qualquer outra compra que alguém realiza na web. Navegando durante o processo da compra a loja virtual me sugeriu alguns itens para adicionar ao carrinho. Acabei adquirindo também uma capa de couro com uma espécie de lanterna para leituras em ambientes escuros. Feito o pedido era só aguardar.

Ao abrir a caixa pude perceber que o equipamento era extremamente leve, de design simples, mas bonito. Após algumas horas de primeira carga na bateria, ele e eu estávamos prontos. Alguns livros no próprio site da Amazon são de graça e por conta disso logo fiz o download para verificar a usabilidade. Hoje posso afirmar com convicção que não trocaria meu Kindle por qualquer outro livro de papel. Alguns dias atrás tive a oportunidade de ter um em minhas mãos. E pasmem, não conseguiria narrar aqui o quão difícil foi realizar aquela leitura. Simplesmente não conseguia me adaptar, e por diversas vezes tive que parar e retomar ao livro. A fonte estava pequena demais, as curvas das páginas me atrapalhavam e por incrível que pareça, até a lanterninha da capa de couro do meu Kindle fez falta. Se antes de ter um Kindle já achava que o livro de papel estava condenado, agora já o vejo como enterrado.

Um dia, conversando com um amigo, ele me perguntou sobre o futuro do livro de papel e expressei a mesma opnião que você pôde ler nos parágrafos acima. Ele não concordou comigo e logo pôs a minha opnião em dúvida. As pessoas gostam de tocar e de sentir dizia ele defendendo quase que com sua a vida os livros de papel. De certo modo, concordei com ele.

Me recordei dos vários momentos em que me refugiei dos meus problemas em livrarias e bibliotecas. Aquele ambiente, aquele cheiro e o fato de poder folhear as páginas em minhas mãos traziam uma sensação que muito me confortava e conforta. Após alguns momentos de meditação realizei que estava pensando como uma pessoa de 17 anos em 1988 e não uma de 17 em 2012.

Esta sensação tão característica que o livro trás para minha geração simplesmente não vai mais existir na atual e nas próximas. A tecnologia do papel (incrível) será aos poucos migrada para as telas com tecnologia E-Ink, onde estas simulam o papel. É claro que o papel não desaparecer de uma hora para outra e também não vai deixar de existir, contudo, sua utilização vai ser cada vez mais rara e para fins específicos. Simbolicamente, podemos afirmar que essa é a destruição da biblioteca de Alexandria 2.0.

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