Quanto é a passagem?

Passa em Ipanema? E em Copacabana? Quanto é? Entre uma parada e outra, estas são perguntas respondidas diariamente antes mesmo até de receber um mero bom dia, boa tarde e boa noite (quando estes são oferecidos) por um motorista de ônibus.  Na última segunda (25/Jul) foi celebrado o dia do motorista. Mas vejamos, será que esta categoria tem razões para comemorar? Não me refiro aqui amigo leitor as questões ligadas a remunerações, benefícios e condições de trabalho, tais direitos devem ser ditados e fiscalizados pela legislação trabalhista. A discussão que este humilde blogueiro propõem é trazer uma reflexão sobre a rotina enfrentada pelos motoristas de ônibus em nosso país. Você já escultou alguém elogiar um motorista? Ou melhor, já elogiou algum? Claro que não! Afinal, todos eles são imprudentes, inconsequentes e mal educados. Certo? Errado. O motorista de ônibus é tão igual quanto você meu amigo. Ele tem pai e mãe, esposa (0), filhos. Cabe aqui lembrar que diferentemente dos vegetais, ele e sua família não fazem fotossíntese para se alimentar e sobreviverem. Bem, o primeiro passo já foi dado. Sabemos que ele é uma pessoa igual a gente. Agora, vejamos, se ele é a nossa semelhança por que tratamos nosso querido amigo de maneira tão rude? Nas minhas andanças pela terra de Estácio de Sá vejo que as pessoas ao entrarem nos coletivos se transformam em monstros dignos de espantar Lord Voldemort (que Deus o tenha!). O  desrespeito é o artilheiro de cada dia, merecendo este, até música no Fantástico.

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Nós desaprendemos absolutamente tudo, ou pelo menos estamos nos esforçando ao máximo para pegar séculos de conhecimento e destruir, exatamente igual como fizemos com a Biblioteca de Alexandria. Não respeitamos mais nada. Os ônibus tem avisos de que não é permitido som alto dentro do veículo, e o que fazemos? Colamos no volume máximo. O aviso em vermelho nos diz que é proibido colocar os pé no vidro, e pensamos logo em fazer o que? Colocar os dois pés sobre o vidro. Vou parar por aqui, pois o amigo (a) provavelmente deve estar mais munido de exemplos do que eu. A pergunta é, por que estamos tentando romper as leis e os bons costumes ao invés de preservá-los?  Gostaria de saber. Você só fala do que estamos fazendo mas não diz como resolver esses problemas. Bem, de certo só sei que a natureza não da saltos, portanto devemos começar pelas coisas pequenas. Um “bom dia, como vai?” já está ótimo. Nosso cérebro registra tudo. Nossos filhos, irmãos, primos e amigos começarão a notar um processo de mudança dentro de nós. A primeira impressão pode ser negativa, contudo a persistência vai fazer você meu companheiro a se tornar um exemplo para aqueles que o rodeiam. É necessário começar. Afinal de contas se esta mudança não for feita hoje, o amanhã será insuportável. Estas linhas referem-se aos motoristas, porém elas podem ser aplicadas aos professores, aos auxiliares de serviços gerais, vendedores e a todos os profissionais (leia-se seres humanos). A mudança começa do lado de fora do ponto de ônibus, ao ser feito sinal para o motorista.

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3 Responses to Quanto é a passagem?

  1. Andréa says:

    Parabéns!!!
    Muito bem escrito, narração facil de entendimento.

  2. Igor Pereira dos Santos says:

    A cultura esta acabando com os bons costumes. Eu vejo esse tipo de comportamento não somente com o motorista mas com qq cidadão.

  3. Gleyson Assis says:

    Diante das reflexões lidas, cabe essas outras:
    “O respeito ao direito alheio é a paz.” (Benito Juárez)
    “Respeitar tratados e convênios não é questão de direito, é questão de conveniência.” (Thomas Hobbes)

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